Conheça a historia do Vale do Ribeira

Caso da expedição de 80 homens organizada por Martim Afonso de Sousa resultou no que hoje conhecemos como Vale do Ribeira

Por Gabriel Henrique 07/02/2019 - 12:59 hs
Foto: Divulgação

 

O litoral da Baixada do Ribeira era habitado por índios seminômades que se dedicavam à caça, pesca e à agricultura itinerante de mandioca e foi visitado por exploradores e colonizadores no início do século XVI. Caso da expedição de 80 homens organizada por Martim Afonso de Sousa para explorar o interior em busca de ouro e prata.

Nesse primeiro período de exploração mineral surgiram os dois núcleos embrionários do Vale do Ribeira: as vilas litorâneas de Cananéia e Iguape, cuja economia se baseava na lavoura de subsistência e na atividade pesqueira. A partir do século XVII , iniciou-se uma ocupação mais intensa do interior em busca de ouro. Com o intenso fluxo fluvial no rio Ribeira de Iguape começou a colonização em suas margens e surgiram os povoados, onde hoje, são as cidades de Sete Barras, Juquiá, Ribeira e Jacupiranga entre outras. Porém, todas ainda eram chamadas de Iguape.

 

A descoberta de minas de ouro contribuiu ainda mais para o fim do isolamento do interior. A articulação fluvial entre Iguape e os povoados surgidos no rio acima, conferiu à cidade grande importância estratégica e seu porto adquiriu grande relevância nacional. Mesmo tendo perdido o posto de principal atividade econômica no decorrer do século XVII em decorrência da descoberta de minas em outras regiões, a exploração do ouro se estendeu até o início do século XIX.

Iniciou-se assim o desenvolvimento da agricultura e o porto de Iguape, responsável pelo escoamento de produtos e pela ligação econômica da região com o resto do país, passou a ser considerado um dos mais importantes do país. O arroz tornou-se o principal produto agrícola, com a utilização de mão de obra escrava, e passou a ser exportado para mercados europeus e latino-americanos. O crescimento da demanda fez com que fosse necessário facilitar o escoamento da produção arrozeira pelo porto de Iguape e baratear os custos com fretes. Por essa razão, em 1825, foi construído o Canal de Valo Grande, interligação entre o rio Ribeira de Iguape e o Mar Pequeno.

No entanto, as oscilações do mercado e a dificuldade em repor fatores de produção, combinados com a expansão das lavouras de café e a abolição do tráfico de escravos, contribuíram, no inicio do século XX, para o colapso da produção de arroz e a consequente estagnação econômica. A economia do Vale regrediu voltando ao estágio de agricultura de subsistência, que se prolongou e foi responsável pela acentuada decadência econômica regional.

No início do século XX, começaram as culturas de banana e chá. A partir dos anos 1960, a construção de estradas de asfalto facilitou a chegada à região, contribuindo um pouco para o desenvolvimento local. A duplicação da BR-116, que ainda não está terminada, pode ser considerada mais um passo para a integração do Vale aos centros urbanos.

Ainda na década de 1960 a importância ecológica da Bacia do Rio Ribeira de Iguape passou a ser reconhecida e foram criadas diversas áreas de reserva e proteção ambiental, fundamentais na preservação da biodiversidade do local. Essas áreas de proteção, entretanto, acabaram por afetar a população nativa que ficou privada do uso da terra e daquilo que garantia seu trabalho e subsistência.

Além disso, as áreas florestais da região vêm sendo desmatadas, para a implantação de pastos, plantio de seringueiras, cacau, banana, ou mesmo para a retirada de madeira e carvão vegetal – atividade estimulada a partir do ciclo de desenvolvimento que se instalou no País na década de 1960.

 

Fonte: O melhor do Vale do Ribeira