A crise, as olimpíadas e as oportunidades

Por Soraya Hirota 24/08/2016 - 08:35 hs

Que a crise chegou, não há mais dúvidas. E veio para ficar no ano passado. O comércio sofre seus abusos e as mídias que manipulam a opinião pública influenciam sem dó o comportamento do consumidor. Tenho percebido que muitos empresários, diante dela, têm perdido as estribeiras. Muitos se desesperam e cria-se certo bloqueio mental para seguir em frente. As responsabilidades são muitas, além das contas da empresa, das contas de casa e do sustento das famílias também dos colaboradores.

Um belo e emocionante exemplo durante este último mês foi a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro e mais: puxo o gancho para a medalha de ouro do Brasil, no futebol masculino. Quem diria, quem diria que tudo daria certo – e o melhor: seríamos tão elogiados na imprensa internacional, nas ruas pelos turistas estrangeiros e que os meninos ganhariam essa medalha histórica? Acho que nem você que lê este artigo. Mas alguém acreditou, alguém arregaçou as mangas e trabalhou para isso. A Prefeitura do Rio de Janeiro, a comissão organizadora dos jogos, os técnicos dos medalhistas que transmitiram segurança e apoio aos jovens atletas e o mundo conspirou a favor. Nem a mentira do Ryan Lochte, o consagrado nadador americano, nos derrubou.

Em entrevista ao Jornal Nacional no último sábado (20), o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, ressaltou a capacidade de reação da cidade e disse que a intenção de receber os Jogos Olímpicos nunca foi de resolver os problemas do Rio, mas tornar a cidade melhor de alguma forma.

Pessoas são protagonistas de sua própria história. E as empresas tem essa missão: de mudar o mundo, porque as organizações são as grandes responsáveis pelo papel de trazer desenvolvimento para uma região. Mas isso requer uma atitude empreendedora. E esse é o desafio. Como ter uma atitude empreendedora diante da crise?

Agora, quem já parou para pensar que podemos fazer dela uma grande aliada? Se a maioria para, porque não pensar estrategicamente como atrair os clientes e fazer novos negócios? Sim, a crise pode ser uma fonte de oportunidades. Mas, para isso é necessário repensar alguns valores, querer mudar e principalmente: arriscar.

A mudança, na maioria das vezes, nos trás medo, apreensão, ansiedade e até pânico, mas criar a grande sacada pode virar o jogo.

A primeira fase do processo de mudança é visualizar a real situação do seu negócio e repensar a missão de sua empresa, o porque ela existir no mundo (e isso nada tem a ver com dinheiro), sua filosofia de trabalho, as relações com os colaborados e tudo aquilo que já faz parte da cultura da empresa. Para isso faça uma lista de pontos positivos e negativos. Faça um check up. Se você tem dificuldade de olhar para si e para os problemas de seu negócio, hoje em dia existe o trabalho de consultores especializados, os mentores organizacionais, o coach. Eles são responsáveis por realizar um acompanhamento individual e ajuda-lo a conquistar as suas metas com prazos estipulados.

A segunda fase é criar sua estratégia. Se pensarmos em uma palavra que resuma as olimpíadas 2016, ela seria superação. Não precisa pensar de planos mirabolantes, às vezes o simples, o básico que você acaba deixando de lado, pode fazer diferença. Mas às vezes, o básico é a grande dificuldade. O básico, por exemplo, é você ter um time que joga todo do mesmo lado. É exercer a liderança com maestria, como Bernardinho, como Rogério Micale.

 

Outro fator importante é planejar com foco no seu público-alvo. Se os clientes não estão aparecendo mais, é o momento de pensar como poderá atraí-los. Nesse quesito, a comunicação é uma grande aliada, mas precisa ser feita corretamente. O consumidor não é bobo, pelo contrário, a crise o tornou mais exigente e o supérfluo deve ser muito encantador. O conjunto do atendimento, da oferta, do produto e do ambiente – isto é, o BÁSICO, deve ser apresentado de forma impecável para reis e rainhas: os clientes.