Registrense conhece 21 países trabalhando em navios de cruzeiro

América do Sul, Europa, Ásia e África são alguns dos destinos que Danilo da Silva Gomes conheceu

30/10/2017 - 15:29 hs

Em tempos de crise econômica como a que vem sendo enfrentada pelos brasileiros nos últimos anos, o primeiro item riscado de uma lista de desejos de consumo certamente são as viagens. Destinos nacionais e internacionais tornam-se cada vez mais distantes pelo alto valor de investimento necessário para realiza-los.

  

Hoje no Brasil, são cerca de 14 milhões de desempregados e grande parte desse número é composto de jovens que buscam seu primeiro emprego ou uma recolocação no mercado de trabalho. O desemprego associado à desvalorização do Real frente a moedas internacionais tem sido o maior obstáculo que impede qualquer brasileiro de conhecer lugares ao redor do globo. A combinação crise – viagem parece uma fórmula impossível de se imaginar.

Na contramão deste raciocínio, empresas de turismo especializadas em cruzeiros marítimos estão sempre recrutando pessoas para trabalharem em navios de turistas que fazem viagens nacionais e internacionais. São inúmeras possibilidades de cargos e salários ofertados para aqueles que se interessam. Além dos salários, que são oferecidos em dólares ou euros, alguns cargos também recebem gorjetas e comissões, engrossando ainda mais o orçamento.

O Registrense Danilo da Silva Gomes de 31 anos é um exemplo de que este trabalho é recompensador tanto financeiramente como uma grande experiência de vida. Danilo viajou por quase toda a costa Brasileira e conheceu 21 países trabalhando em cruzeiros. Segundo ele “O início é um pouco difícil, mas tudo compensa”.

Em entrevista ao Registro Diário Danilo relatou um pouco de sua experiência. “Eu já estava pensando em viajar para fora e estava vendo possibilidades, mas um intercâmbio sairia um pouco caro. Então conversei com uma amiga que estava trabalhando a bordo e ela me explicou sobre o trabalho. Nessa época eu já estudava inglês, depois disso passei a estudar de modo intensivo”.

Danilo começou a trabalhar em navios aos 26 anos de idade. Ele ficou cerca de dois anos embarcado em contratos temporários que variam de seis a sete meses. Segundo ele, o nível de inglês é um diferencial para conseguir cargos melhores. Trabalhos nas áreas de restaurantes e governança chegam a render entre U$1.800 a U$2.300 mais gorjetas e comissões, ou equivalente em euros. Esses cargos exigem nível de inglês avançado pelo contato direto com os turistas e passageiros. Trabalhos nas áreas de limpeza giram em torno de U$500 mensais e exigem apenas inglês intermediário. Há também vagas para trabalho como vendedor, nos cassinos, nas casas noturnas e bares. Até mesmo músicos e artistas em geral podem conseguir trabalho embarcado.

   

Danilo conta que, depois de um ano e meio estudando inglês, começou a entrar em contato com agências de recrutamento para navios, “enviei meu currículo e eles agendaram uma entrevista em inglês para saber meu nível de conversação e pretensões salariais”. Ele continua “acabei ficando nervoso e não consegui desenrolar o inglês bem. Mesmo assim consegui uma vaga, mas não era a que eu almejava, nem no navio que eu queria, então desisti”. Danilo então estudou o idioma por mais seis meses e novamente fez a entrevista na agencia. Dessa vez ele conseguiu uma vaga como garçom, que era a que ele queria.

Os contratos são feitos por temporadas e podem ser renovados. Não há idade máxima para se candidatar. Segundo Danilo, as agências que contratam para estes serviços fazem uma entrevista em inglês para determinar o nível do idioma e assim selecionam os cargos que mais se enquadram dentro do perfil. Depois de selecionado, o candidato precisa fazer um curso de sobrevivência marítima e incêndio, que dura uma semana e custa cerca de R$800. Também é preciso tirar o passaporte e tomar algumas vacinas como febre amarela e tríplice, além de registrar a carteira de vacinação na Anvisa. Tanto o registro da carteira de vacinação, quanto o curso de sobrevivência podem ser feitos em Santos. Depois disso, a agência faz toda a intermediação entre o recrutado e o navio.

Agências que recrutam para serviços à bordo podem ser encontradas nas cidades de Santos, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. É muito importante que pessoas que tenham interesse em se candidatar para um trabalho como este, pesquisem em sites especializados. Existem blogs e grupos de pessoas que trabalharam ou trabalham na área e a troca de experiências também é muito válida.

Danilo hoje mora em Pariquera-açu e é professor concursado. Ele dá aulas em um Instituto de educação com algumas faculdades. Ele não pensa mais em trabalhar embarcado, mas pretende em breve seguir em novos projetos de viagens, desta vez como turista. 

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