Casa é incendiada por homem que não aceitava o fim do relacionamento

A mulher já estava sofrendo agressões e ameaças por mais de um ano

Por Redação 04/05/2018 - 21:00 hs

Casa é incendiada por homem que não aceitava o fim do relacionamento
Todos os cômodos foram queimados

Na noite da última quinta-feira (3), uma casa no Canha, bairro rural de Jacupiranga, foi incendiada por um homem que não aceitava o fim do relacionamento.

O rapaz foi por volta das 18h na casa, onde a vítima estava com as duas filhas, e quebrou vários itens com uma foice. Ele saiu do local dizendo que aquilo não era nem o começo do que iria fazer.

Assustada, a vítima saiu com as filhas para registrar Boletim de Ocorrência contra o ex-companheiro. Quando retornou para casa já estava tudo queimado. Os bombeiros foram acionados e estiveram no local.  

De acordo com a mulher, eles estavam juntos há cerca de 3 anos. Quando ela aceitou o relacionamento sabia que o rapaz já havia sido preso por um período de 2 anos por conta de agressões contra a ex-mulher.

“Na época eu falei para ele que o que importava era o futuro, que daria um voto de confiança. Eu acabei cedendo um pouco por dó também. Ele tinha um filho, que hoje tem 14 anos, e ambos não tinham absolutamente nada. Eu que ajudei a comprar roupas novas, paguei pela habilitação e o incentivei a arrumar um emprego novo. Enquanto ele ainda respondia o processo da Lei Maria da Penha estava tudo bem. Depois que acabou ele começou a mudar. Ficou agressivo, saía de casa e voltava só no dia seguinte, sempre usava drogas e quando não tinha dinheiro para comprar mais ele praticamente me prostituía”, conta a vítima em entrevista exclusiva ao Registro Diário.

Já em constantes desentendimentos, a mulher conta que há aproximadamente 1 ano vem tentando dar um fim do relacionamento.

“Esta sendo a 4ª medida protetiva que entro contra ele. Eu não pude sair de casa antes porque não tinha para onde ir. Consegui uma casa no Centro da Cidade, mas não pude pagar nem mesmo pela primeira parcela do aluguel”, conta a vítima.

Com duas filhas adolescentes, uma de 19 e a outra com apenas 14 anos, elas estão sendo assistidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Departamento de Assistência Social, Departamento de Saúde, Fundo Social, Conselho Tutelar e Polícia Militar do município.

Na madrugada de quinta para sexta, as três foram levadas a um hotel da cidade, onde passaram a noite.

Nesta sexta-feira (4), após realização da Perícia no local do crime, as três foram levadas para um outro local, onde poderão ficar até terça-feira (8).

De acordo com informações da própria vítima, o ex-companheiro já foi preso em outra situação por um dia após ela ter registrado um Boletim de Ocorrência (BO) contra ele.

“Soube que agora o delegado mandou ordem de prisão para o juiz. Eu espero que ele seja pego logo. Eu não tenho medo, para mim tanto faz, já perdi a vontade de viver, mas me preocupo com as milhas filhas”, conta a mulher.

Em entrevista ao Registro Diário, as filhas contaram que o padrasto nunca fez nada contra elas, mas que mal tratava constantemente a mãe.

Afastada por questões de saúde, a vítima sobrevive com as filhas apenas com a pensão que o pai da mais nova manda e com os trabalhos (bicos) que a mais velha faz em um restaurante da cidade.

 

Doações:

Depois de ter todos seus bens quebrados e queimados, a vítima precisa de todo tipo de doação (roupas, produtos de higiene, móveis, calçados, alimentos).

Interessados em ajudar devem procurar o CRAS ou o Departamento de Assistência Social de Jacupiranga.

Telefone: (13) 3864-3098

Endereço: Largo da Saudade, n° 80 – Centro.

 

Medida Protetiva:

A Medida Protetiva é solicitada em casos de violência física contra a mulher. E todas as mulheres gozam dessa prerrogativa, independentemente de classe social, etnia, orientação sexual, renda, nível educacional, idade e religião.  

 

Lei Maria da Penha:

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) tornou mais rigorosa a punição para agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico e familiar. A lei entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006 e o primeiro caso de prisão com base nas novas normas - a de um homem que tentou estrangular sua mulher - ocorreu no Rio de Janeiro. O nome da lei é uma homenagem a Maria da Penha Maia, que foi agredida pelo marido durante seis anos até se tornar paraplégica, depois de sofrer atentado com arma de fogo, em 1983.