Uniformes escolares ainda não têm prazo para serem entregues

Este é o segundo ano consecutivo que alunos da rede municipal de ensino não recebem o kit de uniformes

Por Francine Zanetti 13/06/2018 - 20:00 hs
Foto: Divulgação Prefeitura Municipal de Registro

 

Alunos da rede municipal de ensino de Registro seguem para o segundo semestre letivo sem previsões de receberem o kit de uniformes escolares referentes ao ano de 2018. Desta vez, a falta deste material está diretamente ligada a acusações de fraudes à execução de contratos, investigadas pela Polícia Federal.

No ano de 2017, os alunos também ficaram sem receber os kits de uniformes. Naquela ocasião, a prefeitura divulgou que os uniformes não teriam sido entregues, pois dois contratos de licitação tiveram que ser impugnados porque as empresas apresentaram materiais de qualidade inferior ao que estava sendo exigido no contrato.

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Para os uniformes de 2018, a Prefeitura divulgou por meio de nota que “não houve determinação judicial para suspender a ata de registro de preços. A empresa Tryninvest consta na relação das empresas investigadas no inquérito citado. Por isso, foram cancelados os pedidos e o contrato com a mesma.” A nota segue “O processo de compra dos uniformes encontra-se no jurídico da Prefeitura para verificar a possibilidade de prosseguimento e chamada do 2º colocado, o qual se for julgado possível, a Prefeitura vai tomar todas as medidas legais e pertinentes para adquirir os uniformes.” E finaliza “Vale ressaltar que, se aprovado, o procedimento deverá obedecer o mesmo executado anteriormente, sendo, abertura de prazo para entrega das amostras e período para confecção.”

A empresa citada Tryninvest é uma das investigadas pela Polícia Federal na operação "Prato Feito" que, entre outras acusações, denuncia um esquema de corrupção envolvendo a entrega de merendas escolares, kits de materiais e uniformes.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, o empresário Carlos Zeli Carvalho, conhecido como “Carlinhos” é dono de várias empresas envolvidas neste escândalo, entre elas, a Tryninvest, responsável pela confecção dos uniformes escolares em Registro. Ainda de acordo com o relatório da Polícia, um possível esquema entre o empresário e agentes públicos da cidade existe desde setembro de 2016, porém a prefeitura já havia feito contratos com empresas de “Carlinhos” nos anos de 2014, 2015 e 2016.

O relatório completo da Polícia Federal possui 354 páginas. As investigações envolvendo a cidade de Registro estão descritas das páginas 327 até 338. Somente Carlos Zeli Carvalho é acusado de ter recebido cerca de 70 milhões de reais em contratos ilícitos. 39 prefeituras do estado são citadas nas operações. Segundo a Polícia Federal, os crimes envolvendo “Carlinhos” são de corrupção ativa, já os que envolvem os agentes públicos de Registro são acusações de corrupção passiva e fraude à execução de contratos.