Futebol feminino: a desigualdade de gênero no esporte

Por Luiz Cunha 26/07/2019 - 15:38 hs
Foto: Divulgação

 

O futebol feminino vem crescendo no mundo todo e ganhando cada vez mais visibilidade, o que tem ajudado a jogar um pouco de luz sobre o enorme abismo que ainda existe quando se trata de igualdade de gênero.

Com a última edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, que aconteceu na França, muitas esportistas protestaram contra a diferença de salários, de problemas estruturais e a falta do investimento de patrocinadores. Um claro exemplo da menor evidência da modalidade pode ser notado quando comparamos o comportamento do público. Durante a Copa Masculina, é comum que repartições públicas funcionem em horários diferenciados e boa parte do comércio dispensa os funcionários durante as partidas, algo que não ocorre na competição feminina.

Em um mercado dominado pelos homens e marcado pelo machismo, os desafios parecem imensos. Mas, já existem alguns indicativos de que o futebol feminino tem chamado a atenção, principalmente das casas de aposta, que já cobrem as principais competições.

Os jogos do Bodog Brasil, por exemplo, permitem que você acompanhe sua equipe favorita e aposte em grandes atletas. Esse é um bom exemplo de como atrair mais patrocinadores. Mas, para entender um pouco melhor sobre o assunto, confira nosso artigo.

Desigualdade salarial

Todo mundo sabe como o futebol é um dos esportes mais populares do mundo e nós estamos acostumados a acompanhar transações multimilionárias, assim como jogadores ganhando salários astronômicos.

Infelizmente, esse não é o caso com o futebol feminino. Mesmo quando se trata das equipes nacionais, onde muitos países pagam o salário da equipe através de suas Federações, a diferença salarial é enorme.

A seleção americana acabou de conquistar o título mundial pela quarta vez, sendo esse seu segundo título consecutivo, e ainda assim elas chegam a receber até quatro vezes menos do que a equipe masculina, que, convenhamos, não tem uma boa participação na Copa do Mundo há um bom tempo.

A Noruega foi um dos primeiros países a dar um passo importante na direção certa em 2017, quando eles anunciaram que estavam igualando o salário da equipe feminina e masculina. E, ainda assim, uma de suas principais jogadoras, Ada Hegerber, protestou em uma entrevista: “Nem tudo na vida é sobre o dinheiro”.

Problemas estruturais

De fato, nem tudo é sobre dinheiro, mas ele ajudaria muito a resolver o problema. Em 2018, a Confederação Brasileira de Futebol instituiu que cada time participante da série A deveria ter também uma equipe feminina, tanto de adultas quanto de base.

Infelizmente, o resultado foi desastroso.

Em 2018, foi apurado que de 20 equipes participantes, apenas sete delas tinham um time feminino estruturado. Em outra investigação, constatou-se que as equipes gastavam apenas cerca de 1% de seu orçamento era designado para a equipe feminina.

A questão estrutural é tão complexa que, por exemplo, em um campeonato organizado pela CBF, as jogadoras do Santos não tiveram acomodações para dormir antes de uma partida e precisaram dormir no saguão do hotel, já que houve um erro na reserva feita pelos organizadores.

A inclusão das mulheres no futebol também vai além dos gramados. Quando se trata de árbitros e treinadores, as mulheres estão em uma enorme desvantagem. Enquanto a estrutura não for mais inclusiva, é difícil que as mulheres encontrem o lugar que merecem, disputando pelas mesmas oportunidades e recebendo salários igualitários.

O legado de Marta, Formiga e da Seleção Brasileira

Apesar de nunca ter conseguido conquistar uma Copa do Mundo, a Seleção Brasileira é detentora de alguns títulos importantes, como seus sete títulos da Copa América. E muito disso se deve às nossas veteranas, que foram homenageadas pela Federação Paulista de Futebol após a participação na Copa.

Marta, por exemplo, é um exemplo a ser seguido pelas jovens que aspiram uma carreira de sucesso jogando futebol. Escolhida como melhor jogadora do mundo por seis vezes, cinco delas consecutivas, ela é a maior artilheira da Seleção Brasileira (entre as equipes masculina e feminina, com 118 gols marcados até o momento.

Nessa Copa, ela chegou aos 17 gols marcados em mundiais, ultrapassando Miroslav Klose, se tornando a maior artilheira da competição. Infelizmente, ela também é uma das mulheres que lutam para conseguir um patrocínio que esteja disposto a pagar o que seu futebol merece.

Com essas grandes jogadoras chegando ao fim de sua carreira dentro dos campos, é importante garantir que elas continuem atuando dentro da estrutura do futebol para que as novas gerações continuem lutando por igualdade.