Cerca de vinte e duas onças-pintadas já foram registradas por câmeras na região do Vale do Ribeira

Todo o trabalho de monitoramento é feito por mio de câmeras, que são espalhadas pela mata e são identificadas como “armadilha fotográfica”

Por Redação 08/08/2019 - 11:00 hs
Foto: Reprodução Internet

 

Cerca de vinte e duas onças já foram registradas pelas câmeras de monitoramento entre a região do Vale do Ribeira e do Alto Paranapanema. Os dados foram levantados por um grupo de pesquisadores e divulgados pela Prefeitura Municipal de Apiaí.

São cerca de dez pesquisadores que fazem parte do projeto de monitoramento “Onças da região do Vale do Ribeira e do Alto Paranapanema”, que fazem parte das Unidades de Conservação da Serra de Paranapiacaba. De acordo com a coordenadora do projeto, Beatriz Beisiegel, cerca de vinte e duas a trinta onças-pintadas já foram registradas, dos quais algumas já morreram.

A coordenadora do projeto informa que essa diferença é devida o grupo obter a identificação completa e fotos dos dois lados de treze animais, além da identificação incompleta de nove perfis esquerdos e oito perfis direitos, que podem ou não ser dos mesmos animais. “Às vezes leva anos para ter a identificação completa de uma onça”, afirma a coordenadora.

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Todo o trabalho de monitoramento é feito por mio de câmeras, que são espalhadas pela mata e são identificadas como “armadilha fotográfica”, que é uma espécie de material que ativa por um sensor de movimento. Segundo os pesquisadores, a importância dessas câmaras é em virtude da captura de imagens dos animais sem que os profissionais precisem estar presentes. Dessa forma, esse projeto pode ser visto como um zoológico a céu aberto com espaço amplo e livre, que tem como objetivo acompanhar a vida do animal, sem prejudicar seu habitat.

Esse projeto acontece desde 2008, mas ainda de acordo com a coordenadora, há registros de onças em 2006 e até a de um pesquisador que conseguiu registrar uma foto em 2003, o que revela a importância do trabalho que visa a conservação e o conhecimento do animal. “Essa região que junta Petar, Carlos Botelho e Intervales é uma das duas regiões mais importantes para a conservação da onça-pintada em toda mata atlântica. Isso é fundamental para conservação e conhecimento delas”, comenta.

Último flagrante

Uma onça-pintada foi flagrada nas margens de uma rodovia, olha para a câmera, aparentemente se assusta e volta para a mata. Essa é a descrição de um vídeo que começou a ser divulgado nas redes sociais, no começo de julho, quando um caminhoneiro conseguiu flagrar a onça nas margens da Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado (SP-250), entre o acesso ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) – Núcleo Caboclos e Apiaí.

Confira o vídeo: 

 

O material divulgado e compartilhado nas redes sociais foi muito importante para o grupo de monitoramento. Isso porque, a onça foi fotografada pela primeira vez no Parque Carlos Botelho, há 89 km de onde foi registrada no início de julho, distância que percorreu em onze anos. “Essa onça foi fotografada pela primeira vez em 2008 no Carlos Botelho, há 89 km a leste desse registro atual. Então nesse período, ela foi sendo registrada em Carlos Botelho, Intervales e no Petar, só que o último registro que tivemos dela foi em 2017, ela já estava com filhote e em uma idade que já é quase limite para uma onça pintada ter filhotes e, com esse registro, sabemos que ela está viva e andou mais cinco quilômetros de onde ela foi vista pela penúltima vez (2017). Dessa forma conseguimos saber por onde ela anda e que está bem. Essa é uma das maiores distancias já registradas para deslocamento de uma onça-pintada, então foi um registro muito importante”, afirmou a coordenadora.

 

A onça foi nomeada como Modesta e o nome foi escolhido como homenagem ao antigo gestor do parque, Antônio Modesto Pereira, figura de orgulho e reconhecimento aos pesquisadores e funcionários. Ainda que o foco do projeto seja monitorar as onças-pintadas, outros animais já foram flagrados pelas câmeras, o que prova a diversidade de espécies da fauna no entorno desses parques, os animais flagrados até o momento foram: queixadas, uma espécie de porco-do-mato e a paca, uma espécie de roedor.

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Ameaçada de Extinção

Estudos recentes revelam que restam apenas cerca de 300 onças-pintadas no bioma Mata Atlântica, entre Brasil, Argentina e Paraguai. Tanto a onça-parda como a onça-pintada fazem parte do topo da cadeia alimentar, pois controlam espécies que estão abaixo delas, que também podem causar transtornos caso a população cresça muito. A extinção das onças poderia causar um grande desequilíbrio ambiental. Áreas particulares como o Parque Estadual Carlos Botelho e o Legado das Águas há pouca ocupação humana, mas sempre há o risco de caçadores aparecerem na região.

Curiosidades

Considerada rainha das florestas brasileiras, a onça-parda está entre os principais símbolos de campanhas pela preservação da biodiversidade. A extinção do felino, que faz parte do topo da cadeia alimentar da Mata Atlântica, poderá causar um grande desequilíbrio ambiental.

Símbolo da fauna brasileira, a onça-pintada, é um mamífero que pode atingir até 2,41 metros e pesar 158 quilos, está ameaçada de desaparecer da Mata Atlântica devido à caça predatória e à perda e degradação de seu habitat. A gestação varia de 90 a 112 dias, podendo nascer até quatro filhotes, mas a média é de dois filhotes por gestação.