Médica recusa a atender paciente e vítima lamenta o caso: ‘Poderia ter morrido na porta do hospital’

Vítima alegou que ficou esperando cerca de cinco horas para ser atendida. Médica explica que a unidade não possui estrutura

Por Redação 30/10/2019 - 16:07 hs
Foto: Registro Diário
Médica recusa a atender paciente e vítima lamenta o caso: ‘Poderia ter morrido na porta do hospital’
UBS de Barra do Turvo - Foto: Registro Diário

Uma médica do município de Barra do Turvo recusou a prestar atendimento a uma vítima de acidente, que aconteceu na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), no dia 10 de outubro. A médica trabalha em uma unidade de Pronto Socorro do município.

Edenilson Medeiros, de 38 anos, trabalha como caminhoneiro e é morador da cidade de Pomerode, em Santa Catarina. Segundo apurado pelo Registro Diário, o acidente aconteceu na madrugada do dia 10, na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), por volta das 00h00, no km 548 sentido São Paulo.

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De acordo com o rapaz, há muitas curvas no trecho e ele acabou perdendo o controle do veículo e bateu na traseira de uma carreta. Equipes de socorristas da Arteris, concessionária responsável por administrar a rodovia, foram ao local para prestar atendimento à vítima.

Ainda conforme Edenilson, ele foi encaminhado ao Pronto Socorro de Barra Turvo, onde a médica Drª Laila Margarete Martins de Moura estava de plantão. A vítima relatou que, ao chegar no local, a médica se recusou a atendê-lo. Edenilson revela que teve que retornar para a sua cidade, em Santa Catarina, para realizar seus exames.

“Eu nem cheguei falar com a médica. Ela falou apenas com o pessoal da Auto Pista e eu fiquei dentro da ambulância das 1h00 da manhã até às 5h00, em uma maca. Muito triste saber que isso ainda acontece. Eu poderia ter morrido na porta do hospital”, desabafa.

 

Vítima alegou que ficou cerca de 5 horas esperando para ser atendida - Foto: Registro Diário

Ao Registro Diário, Drª Laila relatou que a unidade não tem condições de receber vítimas de acidente na rodovia e que o homem precisava ser transferido. De acordo com a médica, a unidade sofre com falta de ambulância UTI, local de internamento, respirador e a máquina de Raio-X se encontra em situação precária.

“Este tipo de paciente, que na primeira avaliação nos parece uma coisa simples, pode vir a evoluir com complicações gravíssimas, inclusive com óbito do mesmo. Isto não é só comprovado pela minha experiência profissional, mas por estudos realizados onde 70% das vítimas de colisão frontal apresentam complicação nas primeiras 24h e 45% evolui com óbito ou sequelas irreversíveis. São números muito altos para por em risco de vida um paciente”, explica a médica.

Drª Laila ainda revela que, caso o paciente apresentasse complicações durante o período de observação de 24h, assim como manda o protocolo, ela teria que conseguir uma vaga dependendo do CROSS (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), que ainda segundo a médica, demoraria horas para conseguir. “Isso pode representar uma vida para o paciente”.

Conforme a médica, a região conta com hospitais regionais de Registro e Pariquera-Açu, que são referência em atendimento de vítimas de acidente, onde as equipes da Auto Pista podem encaminhar os pacientes.

“Já temos relatos de outros colegas de trabalho que receberam pacientes que parecia coisa simples, mas o caso complicou e precisou ser removido às pressas. Diante destes fatos não recebi o paciente e orientei a médica que o levasse para o seu hospital de referência, pois acima de tudo temos que prestar pela vida do paciente”, conclui.

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Em nota à reportagem, a concessionária Arteris Régis Bittencourt informou que em casos de acidente na rodovia, as vítimas constatadas como levemente feridas são encaminhadas aos hospitais e pronto socorros municipais, assim como recomenda a Diretoria Regional de Saúde do Vale do Ribeira.

Conforme a Arteris, os hospitais de Barra do Turvo e Cajati recusaram o atendimento à vítima. O paciente poderia ser encaminhado ao Hospital Regional de Pariquera-Açu, “mas o próprio usuário recusou a remoção e preferiu ter o atendimento na sua cidade de origem”, informou a concessionária.

Em contato com a reportagem, o Desenvolvimento Regional de Saúde do Vale do Ribeira informou que não houve nenhuma denúncia sobre o ocorrido, logo, a responsabilidade do caso é do município.

Ao Registro Diário, Dr. Rafael Tadashi Sugiyama, Diretor Clínico do Pronto Atendimento de Cajati, informou que a vítima não chegou a ser encaminhada na unidade e, como o acidente ocorreu no km 548, altura de Barra do Turvo, seria o caso do município atender a vítima. “O mesmo suporte de Barra do Turvo é o suporte que teríamos. No caso, não foi uma negligência médica, mas uma recusa correta, por não ser uma indicação de uma unidade adequada naquele momento”, explica.

 

Unidade de Pronto Atendimento de Cajati - Foto: Reprodução / Prefeitura de Cajati 

À redação, a Prefeitura de Barra do Turvo disse que não irá se manifestar sobre o assunto.

 

Prefeitura de Barra do Turvo - Foto: Reprodução / RD