Todos os profissionais de saúde e familiares estão sendo monitorados após morte por Febre Hemorrágica, afirma Prefeitura

Prefeitura de Eldorado informou que está seguindo todos os procedimentos e orientações do Ministério da Saúde. Já a Prefeitura de Pariquera diz que todas as medidas necessárias serão adotadas em breve

Por Redação 24/01/2020 - 13:00 hs
Foto: Divulgação/Fiocruz/O Globo

 

A Prefeitura de Eldorado informou que está realizando um monitoramento nos profissionais de saúde e nos familiares que estiveram em contato com a vítima de Febre Hemorrática por Arenavírus. O paciente, um homem de 52 homens, morador de Sorocaba (SP), deu entrada na Santa Casa de Eldorado após começar a sentir os sintomas no dia 31 de dezembro. A mesma ação acontece em hospitais onde ele foi atendido.

O último relato de caso de febre hemorrágica brasileira foi há mais de 20 anos. A vítima deu entrada em três hospitais, sendo o de Eldorado, Pariquera-Açu e São Paulo (Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - HCFM-USP), onde acabou morrendo devido as complicações da doença no dia 11 de janeiro.

Ao Registro Diário, a Prefeitura de Eldorado informou, por meio de nota, que a equipe da Vigilância Epidemiológica está mapeando e monitorando todas as pessoas que tiveram contato com o paciente, e que está seguindo todos os procedimentos e orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde, por se tratar de um caso raro.

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Segundo a administração pública, não existe, até o presente momento, qualquer possibilidade de contágio entre humanos, uma vez que a transmissão do vírus ocorre por meio do contato com a urina de roedores silvestres. A Prefeitura ainda ressalta que não há nenhum indício de epidemia ou mesmo de quarentena como está divulgado pelas redes sociais.

De acordo com a recomendação da Secretaria Estadual da Saúde, todos os profissionais da saúde, bem como os familiares que estiveram em contato com a vítima, estão sendo monitorados pela Vigilância Epidemiológica.

O monitoramento deve ocorrer até 3 de fevereiro, quando se encerra o ciclo de 21 dias da doença. Eles estão sendo acompanhados nas questões de higiene e outros cuidados. Os agentes do Ministério da Saúde devem visitar nos próximos dias as cidades no Vale do Ribeira por onde passou a vítima.

Já a Prefeitura de Pariquera-Açu informou ao Registro Diário que, como o paciente veio direto de Eldorado, ele não teve contato com pessoas externos, logo, não é um caso alarmante no município. O Departamento de Saúde do município solicitou todas as informações das ações que os hospitais que tiveram contato com a vítima estão realizando e, em breve, deve divulgar para a população.

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Entenda o caso

Segundo nota divulgada Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Central/CIEVS), o paciente estava visitando parentes que moram em Eldorado quando iniciaram os sintomas.

Os sintomas apareceram no dia 30 de dezembro de 2019, quando o paciente sentiu desconforto gástrico, mialgia intensa, principalmente na região da panturrilha, cansaço intenso, sensação de febre e falta de apetite. O caso evoluiu para óbito no dia 11 de janeiro.

Conforme apurado pelo Registro Diário, o rapaz, procurou assistência médica na Santa Casa de Eldorado no dia 31 de dezembro. Foi medicado e liberado. Já no ano novo, dia 1 de janeiro, os sintomas pioraram (mialgia) e ele procurou hospital, foi medicado e liberado novamente.

No dia 2 de janeiro o paciente procurou assistência médica novamente após o sintomas terem piorado (mialgia, dispneia, tosse e febre). Os médicos registraram HD de Pneumonia. Já no dia 4 de janeiro o caso acabou evoluindo e o rapaz apresentou febre e hipotensão arterial. Foi hidratado, coletado exames e orientado a retornar no dia seguinte.

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No dia 5 de janeiro os exames apresentaram aumento de transaminases e o rapaz procurou deu entrada no Hospital Regional de Pariquera-Açu, onde foi realizado diversos exames e, posteriormente, foi transferido para HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Foram realizados exames para identificação de doenças, como febre amarela, hepatites virais, leptospirose, dengue e zika, porém, os resultados foram negativos. A Febre Hemorrática foi confirmado no dia 17 de janeiro pelo Instituto Adolfo Lutz.

De acordo com o Ministério de Saúde, neste momento, não há informações de como o rapaz adquiriu a doença. O que se sabe é que as pessoas contraem a doença possivelmente por meio da inalação de partículas formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Os funcionários dos hospitais por onde o homem passou estão sendo monitorados, e avaliados, assim como os familiares dele.

Febre Hemorrágicas Virais

Febres Hemorrágicas Virais (FHV) é um grupo de doenças infecciosas com sintomas semelhantes em humanos, os vírus causadores afetam o sistema vascular e podem produzir uma doença multissistêmica grave em alguns pacientes.

FHV associadas à arenavírus são doenças zoonóticas, com humanos agindo como hospedeiros acidentais. Os vírus são transportados em reservatórios de animais assintomáticos, geralmente roedores. Nos seres humanos, a doença pode ser leve a grave ou fatal.